Imagine transportar um barco a vapor de aço através do interior da África no final do século XIX.

Não apenas navegar com ele. Transportá-lo.

Quando os rios permitiam, o Faidherbe avançava pela água. Quando corredeiras, bancos de areia ou outros obstáculos tornavam a navegação impossível, o barco era desmontado. Chapas de aço, estruturas, máquinas, tubulações e uma caldeira de mais de 800 quilos seguiam por terra. Dezenas de quilômetros depois, tudo era montado novamente e o barco voltava à água.

Não havia estradas. Caminhões. Tratores. Guindastes. Aviões para lançar suprimentos. Helicópteros para evacuar feridos.

Era apenas uma parte do desafio enfrentado pelo capitão francês Jean-Baptiste Marchand e seus homens.

Em 1896, eles partiram da costa atlântica da África com uma missão extraordinária: atravessar o continente e estabelecer uma presença francesa no Alto Nilo.

Quase dois anos depois, chegaram a Fashoda.

Ali enfrentaram forças sudanesas muito superiores. Pouco depois, viram surgir no Nilo cinco canhoneiras trazendo cerca de 1.500 soldados comandados pelo general britânico Herbert Kitchener.

Começava a crise de Fashoda, um confronto diplomático que colocou França e Grã-Bretanha diante da possibilidade de uma guerra.

Mas nem mesmo Fashoda foi o fim da jornada.

Quando recebeu ordem de retirar-se, Marchand recusou a solução mais simples: descer o Nilo em embarcações britânicas. Preferiu marchar novamente e alcançar o mar Vermelho pelos próprios meios.

Quase três anos depois da partida, seus homens haviam atravessado a África do Atlântico ao mar Vermelho.

Uma aventura difícil de imaginar com os recursos atuais. Muito mais difícil no final do século XIX.

Veja o infográfico abaixo e leia a história completa em Do Atlântico ao mar Vermelho no fim do século XIX, na seção Aventuras do Varum.