Envelhecer é um privilégio
Publicado em 03/07/2026 15:29
Uma professora pediu para os alunos escreverem um texto sobre o que gostariam de ser.
Um garotinho resolveu responder diferente. E sua redação arrancou gargalhadas e suspiros de toda a sala.
Ele escreveu:
“Eu não quero ser presidente, médico ou cientista.
Meu maior sonho é ser um idoso, porque parece ser a fase mais divertida da vida!”
E então vieram os argumentos, absolutamente irrefutáveis.
Segundo ele, o avô pode acordar tarde sem ninguém gritar “vai perder a hora!”. Pode tirar cochilo depois do almoço sem culpa e ainda chamar isso de “repouso merecido”, o que soa muito mais elegante do que simplesmente dormir sentado vendo televisão.
O avô também pode assistir TV em paz, dormir cedo no sofá e ninguém manda desligar videogame ou estudar matemática. Não existe prova surpresa para aposentado. A única surpresa é descobrir onde colocou os óculos… enquanto eles estão na própria cabeça.
O menino observou ainda que os idosos de hoje já não vivem apenas sentados em bancos de praça olhando o movimento. Muitos acordam cedo para correr no parque, fazem musculação, praticam pilates, hidroginástica, jogam beach tennis na praia com mais energia do que muito jovem que passa o dia inteiro reclamando da vida na internet. Outros fazem trilhas, pedalam quilômetros, dançam, pintam quadros, aprendem instrumentos musicais e transformam a aposentadoria numa espécie de segunda juventude, só que agora com menos pressa e muito mais sabedoria.
E há privilégios quase sagrados: café de manhã, chá à tarde, leite à noite… e uma impressionante capacidade de transformar qualquer remédio em parte da rotina gastronômica. Sem falar que idosos entram no Transporte quase como celebridades discretas: sempre aparece alguém oferecendo lugar. É talvez a única fase da vida em que levantar da cadeira para alguém é visto como sinal máximo de respeito e não como expulsão educada.
O menino também percebeu outra coisa maravilhosa: o idoso pode fazer o que gosta sem precisar pedir autorização ao mundo. Pode cantar, dançar, viajar, fazer trilha, jogar dominó, cuidar das plantas. E se tiver dinheiro no bolso, então… vira praticamente um aventureiro internacional com desconto em passagem e prioridade na fila.
No fim da redação, o garoto concluiu: “Então, virar idoso é realmente incrível!”
E talvez seja mesmo.
Porque a juventude vive correndo atrás do relógio, enquanto muitos idosos finalmente aprendem que a vida não era corrida… era passeio. Talvez envelhecer não seja perder velocidade. Talvez seja apenas descobrir que não havia prêmio algum para quem chegasse primeiro.
A verdade é que muita gente envelhece sem perceber o próprio privilégio. Sobreviveu às tempestades, aprendeu com os tombos, criou histórias, colecionou afetos e ganhou aquilo que o tempo oferece de mais raro: liberdade para viver do seu jeito.
Com carinho, humor e respeito, este texto é dedicado a todos os idosos, especialmente aos que ainda riem alto, contam histórias repetidas e continuam encontrando beleza nas pequenas coisas da vida.
(Desconheço o autor.! )
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