Expedição Francisco de Orellana 2026 - Parte 4

Período: Setembro de 2026

De Santarém até Belém

De Santarém até Belém


Atualizado em: 28 de setembro


A Expedição Francisco de Orellana 2026 prosseguiu de Manaus pelo rio Amazonas em direção a Óbidos e Santarém. No dia 20 de setembro, chegamos a Óbidos, de onde partimos na tarde do dia seguinte. Na noite de 21 de setembro, alcançamos Santarém, de onde saímos ao anoitecer do dia 23. A partir daqui, começa a quarta etapa da expedição: seguir pelo grande rio até Belém.

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24 de setembro

O São Bartolomeu III é bem menor que o Imperatriz. Além disso, tudo nele é de qualidade inferior. Comparando os dois, o Imperatriz parece até luxuoso. Nossa suíte com beliche tinha um forte cheiro de mofo. O ar condicionado meio quebrado, ajustado para 17 graus, sem o controle remoto. A água na torneira escoou marrom de sujeira por um bom tempo. Preferimos não usá-la para higiene pessoal.

Pulamos o almoço e o jantar. Finalmente lancei mão da comida de emergência que trago na mochila desde Quito. Também comemos miojo e misto quente na cafeteria. 

Para compensar, tivemos a companhia da lua em quarto crescente durante grande parte das duas noites a bordo. O por do sol e o luar sobre o rio são muito bonitos.

 

 

Com o ar condicionado travado em 17 graus, quase congelamos de madrugada na minúscula suite. Reclamei no dia seguinte. Um tripulante veio com o controle remoto e mudou a temperatura para 22 graus.  Assim, dormimos bem na segunda noite.

O barco realizou algumas paradas para passageiros e, principalmente, para carga e descarga de gêneros alimentícios. Essas paradas foram demoradas porque a carga e a descarga foram realizadas manualmente. Enquanto nosso barco estava encostado no embarcadouro, barcos menores encostaram do lado oposto e realizaram o transbordo de caixas contendo vegetais e peixes.

 

A primeira parada foi em Monte Alegre e durou umas cinco horas. Parou também em Prainha e Almeirim. Deve ter ficado parado umas dez horas no total.

Para quebrar a rotina da suíte e arejar um pouco, armamos nossas redes no terceiro deck. Novamente constatamos que é bem agradável quando sopra o vento. Se este para, o calor é muito forte. Também sentamos em frente à cafeteria, localizada no convés de popa do terceiro deck. Quase sempre, havia música de qualidade duvidosa tocando muito alto.

 

Foi interessante registrar o desembarque em movimento de um passageiro com destino a uma pequena comunidade ribeirinha. 

 

Achamos também interessante ver uma torre da linha de alta tensão construída sobre uma plataforma acima do rio.

 

 

No final das contas, não podemos reclamar de nada. As condições da viagem sempre excederam nossas expectativas. Estávamos esperando encontrar embarcações similares ao Expresso Vitória. Todos os barcos em que viajamos até agora foram bem melhores.

 

A realidade é que tudo acontece devagar como o rio. Não adianta ter pressa nem exigir um nível de qualidade além do que é proporcionado. Aceitamos a realidade, relaxamos e curtimos a viagem. A paisagem é excepcionalmente compensadora.

 


25 de setembro

Desembarcamos no porto de Santana às 5h 45min. O Tenente-coronel Carlos Henrique, comandante do Comando de Fronteira do Amapá/34o Batalhão de Infantaria de Selva, Batalhão Veiga Cabral, fez a gentileza de receber-nos e conduzir-nos para a casa de hóspedes da unidade, em Macapá. A distância de Santana a Macapá é de aproximadamente 20 km.

 

No caminho, o atual comandante do BIS mostrou ao eterno comandante Alexandre as instalações da unidade e o novo quartel da 22a Brigada de Infantaria de Selva, Brigada da Foz do Amazonas. Alexandre teve a oportunidade de rever o quartel e admirar suas atualizações. O gestor da casa de hóspedes é o Sargento Cortês, PTTC, também velho conhecido do Alexandre.

Depois de nos instalarmos e tomarmos um farto café da manhã, fomos lavar roupa em uma lavanderia próxima.

Em seguida, fizemos uma boa caminhada com Alexandre, mais uma vez, servindo como meu guia turístico. Seguimos pela avenida FAB até a orla do rio Amazonas.  Virando à direita, fomos até o Trapiche Eliezer Levy, uma comprida passarela elevada sobre a água. Ao final, tem o restaurante Raízes sobre um amplo deck suspenso. O trajeto pode ser percorrido em um velho bondinho doado pelo governo alemão. Naquele momento, estava tudo fechado à  visitação. Voltaríamos à noite.

 

Macapá - resumo histórico

Macapá nasceu de sua posição estratégica na margem esquerda do rio Amazonas, próxima à foz e praticamente sobre a linha do Equador. A região despertou o interesse das potências europeias desde o período colonial, pois quem controlasse aquele ponto poderia vigiar o acesso ao grande rio e, por ele, ao interior da Amazônia. Para Portugal, assegurar a área era fundamental tanto para conter as pretensões estrangeiras quanto para consolidar a ocupação de sua fronteira setentrional.

Em 1758, o povoado foi elevado à categoria de vila com o nome de Vila de São José de Macapá. Poucos anos depois, os portugueses iniciaram a construção da Fortaleza de São José de Macapá, cujas obras começaram em 1764. Erguida às margens do Amazonas, a imponente fortificação destinava-se a proteger a entrada setentrional do sistema fluvial amazônico e tornou-se um dos principais símbolos da estratégia portuguesa de defesa e ocupação da região.

A importância estratégica de Macapá permaneceu após a independência do Brasil. Sua localização, diante da vasta foz do Amazonas e próxima às Guianas, fez da região um ponto relevante para a defesa da fronteira norte. Em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, foi criado o Território Federal do Amapá, separado do Pará, e Macapá tornou-se sua capital. A medida reforçou a presença do governo federal numa área de fronteira considerada particularmente sensível.

Com a Constituição de 1988, o Amapá tornou-se estado, mantendo Macapá como capital. Atualmente, além de centro político, econômico e administrativo estadual, a cidade conserva importância estratégica por sua posição na foz do maior sistema fluvial do mundo, pela proximidade das fronteiras internacionais e por sua ligação com as rotas marítimas do Atlântico. A antiga Fortaleza de São José permanece como testemunho de uma característica que acompanha Macapá desde suas origens: sua localização sempre foi um elemento fundamental para a ocupação e a defesa da Amazônia brasileira.

 

Prosseguimos para a Fortaleza de São José de Macapá. Esta constituiu um rico bônus para nossa visita. É imensa e acaba de reabrir ao público após extensa renovação. Vale cada minuto da visita. Raramente estive em um forte tão bem conservado. Testemunho vivo de uma história rica e desconhecida pela maioria. Francisco de Orellana certamente passou pelo rio, bem ali em frente, antes de atingir o oceano Atlântico um pouco mais abaixo.

Fortaleza de São José - resumo histórico

A Fortaleza de São José de Macapá, situada às margens do rio Amazonas, começou a ser construída em 1764 por determinação da Coroa portuguesa e foi inaugurada em 1782. Sua principal finalidade era proteger a entrada setentrional da Amazônia contra possíveis incursões estrangeiras, especialmente em uma região disputada por portugueses, franceses, ingleses e holandeses. Tornou-se uma das mais importantes fortificações erguidas pelos portugueses na Amazônia.

Seu projeto segue os princípios da fortificação abaluartada, sistema desenvolvido na Europa a partir do Renascimento para adaptar as defesas ao crescente poder da artilharia e levado a seu maior refinamento, no século XVII, pelo engenheiro militar francês Sébastien Le Prestre de Vauban. A fortaleza apresenta planta quadrangular, com quatro grandes baluartes projetados nos cantos e ligados por espessas muralhas, disposição que permitia o emprego cruzado da artilharia e reduzia os pontos sem cobertura defensiva. No interior foram instalados quartéis, depósitos, paiol, capela e outras dependências necessárias ao funcionamento da guarnição.

Os canhões constituíam o principal elemento de defesa da fortaleza. Distribuídas principalmente sobre os baluartes e muralhas, as peças de artilharia podiam bater diferentes direções e cruzar seus campos de tiro, protegendo tanto as aproximações terrestres quanto a frente voltada para o Amazonas. Sua posição junto ao rio permitia controlar a passagem de embarcações por aquele setor, transformando a fortaleza em um ponto de vigilância e defesa do acesso à região amazônica.

Mais do que uma obra defensiva, a Fortaleza de São José representava a estratégia portuguesa de assegurar a ocupação e o controle territorial da região. Embora nunca tenha enfrentado uma grande batalha, sua presença reforçou a soberania portuguesa e, posteriormente, brasileira sobre a margem norte da foz do Amazonas. Atualmente, é um dos principais monumentos históricos do Amapá e um dos símbolos de Macapá.

Muito antes da construção da fortaleza, porém, essas águas já haviam sido percorridas por uma das mais extraordinárias expedições do século XVI. Francisco de Orellana iniciou a descida do sistema Napo–Amazonas no final de 1541 e, ao longo de 1542, percorreu o grande rio até o Atlântico. Em agosto de 1542, sua expedição alcançou a região da foz do Amazonas e passou pelas proximidades da área onde, mais de dois séculos depois, surgiriam a cidade de Macapá e a Fortaleza de São José. Assim, quando contemplamos o Amazonas das muralhas da fortaleza, estamos diante das mesmas águas pelas quais Orellana e seus homens avançaram rumo ao Atlântico há quase cinco séculos.

 

 

 

 

Almoçamos no quartel do 34o BIS. O Alexandre foi formalmente recebido pela guarda e com o toque de corneta do comandante. Tivemos a oportunidade de percorrer o pavilhão de comando. Admiramos a galeria de ex-comandantes - com o retrato do Alexandre ainda com cabelo - e o museu, pequeno mas rico em história. E muito bem cuidado.

 

 

Descansamos à tarde. Voltamos ao trapiche, aberto à noite, onde jantamos. Lindo lugar. Dali se tem excelente vista da Fortaleza toda iluminada. Tiramos também fotos da lua  cheia sobre o Amazonas. 

 

 

 

 


26 de setembro

Na casa de hóspedes, tomamos um ótimo café da manhã em companhia dos sargentos Cortes e Araújo, dois velhos conhecidos do Alexandre, quando comandou a unidade.

 

Concluída a visita ao lugar onde Francisco de Orellana alcançou o oceano Atlântico em agosto de 1542, restáva-nos ver o local da partida e da chegada da epopeia do Capitão Pedro Teixeira: Belém.

Fomos para o porto de Santana. Embarcamos no Ana Beatriz IV, da mesma empresa do São Bartolomeu III, porém melhor em todos os aspectos. Tudo é mais novo e bem consevado. O primeiro deck é destinado a carga. Neste caso eram veículos em sua maioria, não havia itens pequenos nem perecíveis. O 2o deck tem ar condicionado. Nossa suíte ficava no 3o deck e estava bem limpa. Por minha solicitação, o ar condicionado foi regulado para 22 graus. O barco tem também um deck superior com mesas e bancos, uma espécie de área de lazer e mirante. Ali o vento corre sempre, é bem agradável quando o sol abaixa no fim da tarde.

 

 

O refeitório é climatizado e a comida, boa e farta.

 

Chamou-nos a atenção que a área de redes do 3o deck estava lotada e as redes eram todas iguais. Logo fomos informados de que todos eram imigrantes cubanos, isolados ou em famílias inteiras, de todas as idades. Vinham de Cuba por meio do Suriname ou da Guiana. Durante a viagem conversamos com vários. Iam para os estados do sul do Brasil ou para o Uruguai em busca de melhores condições de vida. Descreveram para nós as terríveis carências de toda natureza existentes em Cuba. Disseram que não há mais turistas visitando a ilha e esta era a principal fonte de renda no país. Os bons hotéis de Havana e Varadero estão vazios. Falta tudo: energia elétrica, água, alimentos, combustível. Quase não há médicos. Uma situação muito triste.

 

O trecho entre Macapá e Belém nos proporcionou algumas das paisagens mais belas e impressionantes de toda a expedição. Em alguns lugares, o rio é extremamente largo, alcança mais de 20 km. As ondas balançam o barco. Cruzamos com navios de porte oceânico. Em outros momentos, o barco navega pelo labirinto de furos estreitos entre inumeráveis ilhas grandes pequenas. Avançamos bem perto da floresta e das casas ribeirinhas.

 

 

 

 

Em certos trechos,  membros da tripulação lançavam na água umas pelotas de plástico contendo regalos para as crianças. Aquilo parecia um ritual já conhecido entre elas, pois notamos que as crianças posicionavam suas canoas ao longo do curso seguido pelo barco. Aguardavam ansiosas. Ao ver uma pelota na água dirigiam-se velozmente para recolhê-las. Algumas pilotavam canoas a motor. Outras remavam suas montarias freneticamente. Aquilo se tornou uma espécie de espetáculo para os cubanos. Incitavam a tripulação a lançar mais pelotas e ficavam frustrados se alguma criança não recebia a sua.

 

Alexandre e eu usamos o aplicativo Guru Maps para nos orientarmos. Ele é muito preciso e rico em detalhes. Inclusive assinala as principais rotas fluviais. Notamos que aqueles risquinhos azuis que representam os furos mais estreitos tinham, na realidade, mais de 150 metros de largura. Ou seja, os  cursos d'água mais estreitos são mais largos que a maioria dos rios do sul do Brasil.


27 e 28 de setembro

Chegamos a Belém às 8h 30min. Fomos direto para o hotel. Deixamos as mochilas e fomos visitar pontos turísticos da cidade. Completamos a visita no dia 28, 2a feira. Um dia antes do previsto porque tínhamos pensado que o barco só chegaria na parte da tarde de domingo.

 

 

 

Belém do Pará foi fundada em 12 de janeiro de 1616 pelos portugueses, em um ponto estratégico próximo à foz do rio Amazonas. A ocupação tinha como objetivo consolidar a presença portuguesa na região e impedir o avanço de outras potências europeias sobre a Amazônia. A partir desse núcleo inicial, a cidade cresceu como importante centro administrativo, militar e comercial do norte da América portuguesa.

Nos séculos seguintes, Belém tornou-se a principal porta de entrada para a Amazônia. No século XIX, participou intensamente das transformações políticas do período da Independência e foi um dos principais cenários da Cabanagem (1835–1840). Entre o final do século XIX e o início do XX, o ciclo da borracha trouxe grande prosperidade, acelerando a urbanização e aproximando a cidade dos padrões arquitetônicos e culturais europeus da época.

Com o declínio da borracha, Belém perdeu parte de seu dinamismo econômico, mas manteve sua importância como centro regional. Atualmente, com cerca de 1,3 milhão de habitantes no município e uma população metropolitana bem maior, permanece como um dos principais centros urbanos da Amazônia brasileira, desempenhando papel relevante na economia, na cultura e na articulação da região com o restante do país.

Do alto do hotel, tivemos uma vista parcial da cidade e do rio.

 

 

Visitamos a famosa Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, que abriga a imagem da Santa e onde termina a tradicional festa do Círio de Nazaré.

 

 

O Círio de Nazaré - resumo histórico

O Círio de Nazaré, realizado anualmente em Belém do Pará, é uma das maiores manifestações religiosas do Brasil. A celebração é dedicada a Nossa Senhora de Nazaré e tem como momento principal a grande procissão realizada no segundo domingo de outubro, quando milhões de fiéis acompanham a imagem da santa pelas ruas de Belém, em um percurso que termina na Basílica Santuário de Nazaré.

A tradição remonta ao século XVIII e está associada ao encontro, segundo a tradição popular, de uma pequena imagem de Nossa Senhora de Nazaré pelo caboclo Plácido, às margens do igarapé Murutucu. O primeiro Círio oficial ocorreu em 1793. Entre seus símbolos mais conhecidos estão a berlinda que transporta a imagem, a longa corda puxada pelos promesseiros e as demonstrações de fé e agradecimento dos fiéis ao longo do percurso.

Mais do que uma procissão, o Círio constitui um amplo ciclo de celebrações religiosas e culturais que transforma Belém durante várias semanas. Em 2013, o Círio de Nazaré foi inscrito pela UNESCO na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, reconhecimento de sua importância religiosa, histórica e cultural para o Pará e para o Brasil.

 

A Praça da República, onde se encontram o Teatro da Paz e o Monumento à República.

O Teatro da Paz é um dos principais símbolos históricos e culturais de Belém. Inaugurado em 1878, durante o período de prosperidade proporcionado pelo ciclo da borracha, foi concebido para dotar a cidade de uma casa de espetáculos à altura das grandes capitais europeias. Seu nome é uma referência ao fim da Guerra do Paraguai, encerrada poucos anos antes.

De arquitetura neoclássica, o teatro apresenta fachada monumental, colunas, esculturas e uma rica decoração interna, com lustres, pinturas, mármores e elementos importados da Europa. Durante o auge da economia da borracha, recebeu companhias líricas e artistas internacionais, tornando-se um dos centros da intensa vida cultural da chamada Belle Époque amazônica.

Ainda hoje em funcionamento, o Teatro da Paz continua recebendo concertos, óperas, peças teatrais e outros eventos culturais. É um dos mais importantes teatros históricos brasileiros e um testemunho particularmente expressivo do período em que Belém, enriquecida pela borracha, passou por profunda transformação urbana e cultural.

 

Inaugurado em 15 de novembro de 1897, o monumento em homenagem à Proclamação da República foi projetado pelo escultor italiano Michele Sansebastiano. No alto encontra-se uma figura feminina alegórica representando a República, acompanhada por outros elementos escultóricos de caráter cívico e simbólico.

 

 

A Praça Batista Campos é um dos espaços públicos mais tradicionais e agradáveis de Belém. Localizada no bairro de mesmo nome, recebeu sua denominação em homenagem ao cônego Batista Campos, uma das figuras de destaque da história política paraense e ligado aos acontecimentos que antecederam a Cabanagem.

Urbanizada principalmente no final do século XIX, durante o período de prosperidade da borracha, a praça conserva características dos jardins públicos da Belle Époque, com caminhos sinuosos, pontes, coretos, pequenos cursos d'água, lagos e árvores de grande porte. O conjunto cria um ambiente bastante diferente das praças monumentais, aproximando-se mais da concepção de um jardim urbano destinado ao passeio e ao convívio.

Hoje, a Praça Batista Campos permanece como uma importante área de lazer e convivência no centro de Belém. Cercada por edifícios históricos e pela intensa vegetação característica da cidade, é também um dos espaços que melhor preservam a atmosfera das transformações urbanas realizadas em Belém na passagem do século XIX para o XX.

 

 

 

A região das docas de Belém, às margens da baía do Guajará, está intimamente ligada à história portuária e comercial da cidade. Sua configuração atual começou a tomar forma no início do século XX, quando, durante o auge da economia da borracha, Belém recebeu modernas instalações portuárias destinadas a atender ao crescente movimento de mercadorias e passageiros. Armazéns, guindastes e estruturas metálicas passaram a compor uma das principais portas de entrada da Amazônia.

Parte desse antigo complexo portuário foi posteriormente revitalizada e transformada na Estação das Docas, inaugurada em 2000. Os antigos armazéns de ferro foram preservados e adaptados para abrigar restaurantes, bares, lojas, espaços culturais e áreas de passeio, mantendo elementos da estrutura portuária original, inclusive antigos guindastes. O conjunto tornou-se um dos principais pontos turísticos e gastronômicos de Belém.

Além de seu interesse histórico, a região oferece uma ampla vista da baía do Guajará e permite perceber uma característica essencial de Belém: sua profunda ligação com os rios. Próxima ao Ver-o-Peso, ao centro histórico e à Cidade Velha, a área das docas reúne em um mesmo espaço a memória do antigo porto, a paisagem amazônica e a vida contemporânea da cidade.

 

 

Chegamos ao ponto final de nossa expedição. O Monumento a Pedro Teixeira, localizado junto à Estação das Docas, homenageia um dos grandes personagens da expansão portuguesa na Amazônia. Militar e explorador, Pedro Teixeira participou da expedição que fundou Belém, em 1616, e destacou-se posteriormente na defesa e exploração do território amazônico.

Sua maior realização foi a extraordinária expedição de 1637–1639, quando partiu de Cametá e subiu o rio Amazonas até Quito, nos Andes, retornando depois ao Pará. A jornada contribuiu para ampliar o conhecimento português sobre a região e fortalecer as pretensões de Portugal sobre vastas áreas da Amazônia que, pelo Tratado de Tordesilhas, encontravam-se originalmente na esfera espanhola.

Erguido em 1966, por ocasião dos 350 anos de Belém, o monumento representa Pedro Teixeira de pé sobre uma elevada coluna. Sua localização junto ao antigo porto é especialmente significativa: dali se avista o grande sistema fluvial que serviu de caminho para as expedições que fizeram de Pedro Teixeira uma das figuras centrais da história da ocupação portuguesa da Amazônia.

 

 

Concluímos a Expedição Francisco de Orellana 2026. Plenamente exitosa, sem incidentes. Excedeu em muito nossas expectativas. Uma daquelas aventuras que recordaremos pelo resto de nossos dias.

VALEU DEMAIS!!!

  


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