Os Pilares da Liderança
Existem inúmeras definições de liderança. Adoto a seguinte por entender que se aplica à maioria das situações:
Liderança é a habilidade de influenciar pessoas para, voluntariamente, realizarem ações que contribuam para o que, por consenso, é considerado o bem comum.
O objetivo é que as pessoas trabalhem de boa vontade, deem o melhor de si e sintam-se bem ao fazê-lo. Elas almejam sentir-se importantes e crescer como indivíduos. Os líderes têm a responsabilidade de conduzi-las nessa jornada.
Determinadas situações de crise podem requerer um tipo de liderança que não se enquadra nessa definição. Abordarei esse tema em outra ocasião.
O líder tem que evidenciar vários atributos. Três deles constituem os pilares da liderança: competência técnica, iniciativa e habilidade de comunicação. Esses pilares são edificados sobre uma base: a integridade. Sem base sólida e pilares fortes, a liderança desmorona.
Competência técnica. Se você não sabe do que está falando, ninguém vai ouvi-lo. Se não conhece o rumo a seguir, outra pessoa pilotará o barco. A competência técnica deve ser relevante para a situação e para o nível da liderança. Tanto o gerente-geral quanto os chefes de setor precisam ser competentes, cada um em sua especialidade e em seu nível. O mesmo vale para o general e o tenente. Não tente conhecer tudo em detalhes, mas faça o dever de casa: domine aquilo que é realmente relevante.
Iniciativa. Dificilmente você será chamado para liderar, mesmo que tenha a solução para o problema. Não conte com isso. Tome sua decisão e dê um passo à frente; caso contrário, alguém o fará. Se você ocupa um cargo de chefia, seus subordinados esperam que você os lidere. Ainda assim, quando a situação exigir, alguém tomará a iniciativa se você não o fizer. Sem iniciativa, você nunca será um líder; será sempre um seguidor.
Habilidade de comunicação. Primeiro, ouça. Depois, pense. Então, fale. Selecione argumentos adequados e escolha bem as palavras. Explique com simplicidade e clareza. Repita e enfatize as ideias principais. Fale à razão e ao coração das pessoas. Mostre-lhes as vantagens — para elas — de fazer o que você está propondo. Nunca suponha que foi bem compreendido. Se o fizer, terá surpresas desagradáveis nos piores momentos. Faça perguntas para verificar se a mensagem foi compreendida. Cuide do tom de voz, da expressão facial e da linguagem corporal — podem estar transmitindo uma mensagem diferente daquela expressa por suas palavras.
Integridade. Esta base é tão fundamental que farei referência ao Guia Prático para o Desenvolvimento de Competências da ONU, o qual define integridade como a "habilidade de trabalhar com honestidade, franqueza, imparcialidade e em conformidade com os valores da organização".
De acordo com o Guia, são indicadores de integridade:
- Agir e comportar-se com imparcialidade, justiça, honestidade e sinceridade;
- Agir sem considerar ganhos pessoais;
- Resistir a pressões políticas ilegítimas ao tomar decisões;
- Não abusar do poder ou da autoridade;
- Apoiar decisões de interesse da organização, mesmo que sejam impopulares;
- Agir prontamente em casos de conduta antiprofissional ou antiética.
Ainda segundo o Guia, os seguintes comportamentos evidenciam falta de integridade:
- Interpretar princípios e fundamentos éticos de modo flexível, sem justificativa;
- Buscar ganhos pessoais;
- Fazer concessões prontamente quando estiver sob pressão;
- Favorecer determinados aspectos, indivíduos ou grupos de maneira subjetiva;
- Ser indigno de confiança ou manipulador;
- Ser desonesto.
Ser líder é uma decisão pessoal. Se decidir assumi-la, construa sua base e seus pilares. Vigie-os e fortaleça-os continuamente. Não procure iludir a si mesmo, pois aos outros você não engana — pelo menos, não por muito tempo.
